Campo Grande - terça-feira, 7 de julho de 2026
Manifesto aponta prejuízos ao comércio, transporte coletivo e motoristas
Michelly Perez - 07/07/2026 • 10:06
Foto: divulgação
Os buracos espalhados pelas ruas de Campo Grande não provocam apenas transtornos no trânsito. Segundo um levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Campo Grande), a deterioração da malha viária tem reflexos diretos na economia da cidade, encarece o transporte de mercadorias, reduz a vida útil dos ônibus, aumenta os custos dos motoristas e ainda gera despesas milionárias aos cofres públicos com indenizações judiciais.
As conclusões fazem parte do manifesto “Movimenta Campo Grande”, documento elaborado pela entidade que reúne um diagnóstico sobre a situação das vias urbanas e propõe cinco medidas para enfrentar o problema. Entre elas estão o redirecionamento de recursos da Contribuição para Custeio da Iluminação Pública (Cosip), a criação de um fundo municipal para recuperação das ruas e contratos de recapeamento com pagamento vinculado à durabilidade das obras.
De acordo com o estudo, Campo Grande possui mais de 9 mil ruas e avenidas, somando cerca de 3,3 mil quilômetros de vias públicas. Embora entre 2,5 mil e 2,7 mil quilômetros sejam pavimentados, boa parte da estrutura foi construída há mais de três décadas, com camadas de asfalto consideradas insuficientes e sem sistema adequado de drenagem, fatores que aceleram o surgimento de buracos.
Para o presidente da CDL Campo Grande, Adelaido Figueiredo, o impacto da infraestrutura precária ultrapassa o setor de transportes.
“O asfalto ruim encarece o frete, atrasa a entrega e afasta o cliente da loja. Quando a rua não funciona, o comércio sente primeiro.”
O manifesto também relaciona a situação das vias à crise enfrentada pelo transporte coletivo. Segundo o levantamento, trafegar diariamente sobre buracos reduz em até 40% a vida útil dos componentes de suspensão dos ônibus, aumentando os custos de manutenção e contribuindo para o envelhecimento da frota.
Na avaliação da entidade, a precariedade do transporte público levou parte da população a adquirir carros e motocicletas para evitar atrasos no trabalho, elevando o comprometimento da renda familiar com financiamentos, combustível e manutenção dos veículos.
Outro ponto destacado é o impacto financeiro das ações judiciais movidas por moradores que tiveram prejuízos causados por buracos nas vias.
Segundo a CDL, as condenações impostas ao município variam entre R$ 5 mil e mais de R$ 30 mil por processo. Como os valores são pagos pelo Tesouro Municipal, abastecido por impostos, o contribuinte acaba arcando duas vezes com o problema: primeiro ao pagar tributos destinados à manutenção das ruas e, depois, ao financiar as indenizações decorrentes da falta de conservação.
O documento também critica o modelo atual de manutenção, baseado principalmente em operações de tapa-buracos. Conforme o levantamento, o município gasta entre R$ 35 milhões e R$ 40 milhões por ano com esse tipo de serviço, sem solucionar as causas estruturais da deterioração do pavimento. Além disso, aponta que a usina de asfalto instalada no Polo Empresarial do Indubrasil, construída com investimento estimado em R$ 24,3 milhões, opera abaixo da capacidade.
Para enfrentar o problema, a CDL apresentou cinco medidas consideradas prioritárias:
Segundo Adelaido Figueiredo, o objetivo do manifesto é contribuir para o debate sobre a infraestrutura urbana.
“Não é um documento contra a gestão, é um chamado para a gestão. Campo Grande precisa de planejamento contínuo, não de remendo.”