Campo Grande - sábado, 18 de julho de 2026
O desejo de conhecer a montanha mais famosa do mundo começou a nascer em 2015, "foram dias de subidas, descidas e náusea"
Jackeline Oliveira - 28/10/2023 • 06:00
Arquivo pessoal
O desejo de conhecer a montanha mais famosa do mundo começou a nascer em 2015, quando o empresário Firmino Cortada Neto e o esposo Murilo Cunha assistiram ao filme Evereste, que relata a maior tragédia já acontecida no local, no ano de 1996.
Firmino conta que ali começou a curiosidade em escalar o Everest, mas era uma coisa muito distante, mas ele não desistiu e com o passar dos anos a ideia de visitar a Cordilheira do Himalaia foi ficando mais real.
Em 2021 o empresário e o marido decidiram tirar o sonho de conhecer o morro com o pico mais alto do mundo do papel e começaram a organizar a viagem. “Quando assisti o filme fiquei com muita vontade de conhecer, mas na minha cabeça era só profissional que conseguiria, depois que descobri sobre os acampamentos base e que daria pra ir caminhando, mas estávamos no meio da pandemia e não tinha o que fazer”, revelou Neto.
A primeira entrada do pagamento da viagem aconteceu ainda em 2021, mas o empresário incluiu conhecer o Butão, que por conta da pandemia estava fechado e a viagem foi postergada, em 2022 ele o esposo já haviam pagado 40% do valor, que na época era o valor de US$ 1,700 por pessoa, com tudo incluso, hospedagem e alimentação, mas sem a passagem do Brasil até o Nepal, que de acordo com o empresário, é mais ou menos o mesmo valor (US$ 1700).
Firmino conta que os organizadores explicam que pra subir só não pode ser sedentário e que ele e o marido não fizeram uma preparação especial para a viagem, mas que é uma jornada cansativa.
“É muita subida e muita descida, são 12 dias caminhando, é muito cansativo, tem que ter cabeça boa. E tem a loteria do mal da montanha, que é dor de cabeça, enjoo, vômito, náusea, dor de estômago e desmaio. Tem gente que já subiu no topo do Everest e vai tentar vir pro acampamento base de novo, e tem quem nunca mais queira fazer essa viagem”, afirma Neto.

Arquivo pessoal
A viagem dura 12 dias para subir e descer, os organizadores reservam 16 dias, pois dependem do tempo no aeroporto de Lukla, no Nepal, conhecido como o mais perigoso do mundo por ter a menor pista numa montanha. O avião só cabe 16 pessoas, o grupo que Firmino e o marido estavam deu sorte e conseguiram pousar no primeiro dia de tentativa.
Firmino e o marido contam que não encontraram nenhuma surpresa na viagem. “Eu sabia que ia ser precário, eu sabia que ia dormir em alojamento, que era banheiro comunitário, que era sujo, que era refeitório, meio bandejão. Eu sabia tudo isso, mas você viver é completamente diferente, assim, eu tô satisfeito, mas eu tô esgotando, assim, eu tô com saudade de casa. Outra coisa, é a alimentação aqui, como o acesso à montanha é muito difícil, é muito duvidoso o armazenamento de comida, então, pra evitar a infecção, eles falam, não coma carne, frango, é uma alimentação 100% vegetariana”, explica Firmino.
O esposo de Firmino, Murilo Cunha, diz que tudo durante o percurso é lindo, mas que é muito difícil abdicar do conforto de casa para fazer essa caminhada. “Não é fácil você abdicar de uma cama gostosa, de um quarto quentinho, as condições são muito precárias, os alojamentos são muito precários, é muito frio, porque a partir do momento que você vai subir na altitude vai ficando mais frio, a internet é ruim, mas vale a pena porque é muito bonito, é muito diferente, é um negócio assim que você vê no filme e aí você fala, cara, é possível ir até lá, sabe, o acampamento base mais famoso do mundo, da montanha mais alta do mundo. Aqui é lindo, mas é muito sofrido, é muito cansativo, mas está valendo a pena”, afirmou Murilo.
Firmino registrou sua jornada subindo o Everest nas redes sociais, entre postagens divertidas sobre as condições da hospedagem, banheiro e também depoimentos mostrando o cansaço emocional que muitos que se dispõe a subir a montanha passam. Conforme ele ia postando, recebia apoio de seus seguidores que torciam para que o casal chegasse ao acampamento base e o dia chegou.
Estasiados os dois registraram com muita emoção a chegada ao topo, se abraçaram e agradeceram um ao outro. Depois, com muito humor, fizeram pose pra foto com legenda típica de meme, “Amei, ta visto. Vamos embora”.