Campo Grande - terça-feira, 23 de junho de 2026
Aristeu Alceu Carbonaro e Alvaro José Carbonaro, tio e pai do candidato à prefeitura de Itaporã, Thiago Carbonaro (PP), viraram réus após serem denunciados por trabalho análogo à escravidão
Marcos Maluf - 02/10/2024 • 16:01
Foto: Reprodução-Redes Sociais
A denúncia foi aceita pela Justiça Federal, e Edilson, Álvaro e Aristeu foram formalmente acusados em julho deste ano. Além das acusações de trabalho análogo ao escravo, os proprietários da Fazenda Santa Maria estão sendo investigados pelo Ministério Público Estadual por possível desmatamento irregular em 122,58 hectares de área de Preservação Permanente.
A promotora Nara Mendes dos Santos Fernandes informou que, apesar de os proprietários negarem a responsabilidade pelo desmatamento, não buscaram uma solução amigável para o problema, o que levou à conversão do inquérito em ação civil pública.
A propriedade vistoriada pelo Ministério Público pertence a Aristeu Alceu Carbonaro e Alvaro José Carbonaro, tio e pai do candidato.
Sete trabalhadores foram encontrados por equipes do Ministério do Trabalho em condições análogas à escravidão.
O episódio aconteceu em uma fazenda em Bela Vista, a 307 quilômetros da Capital. A propriedade pertence a familiares do candidato à prefeitura de Itaporã, Thiago Carbonaro (PP), eles negam as acusações.
A propriedade vistoriada pelo Ministério Público pertence a Aristeu Alceu Carbonaro e Alvaro José Carbonaro, tio e pai do candidato.
Segundo o MPF (Ministério Público Federal), as equipes foram até o local e constataram que os funcionários estavam em barracos de lona e dormiam em camas improvisadas e redes.
Além disso, os trabalhadores nem se quer contavam com local adequado para tomar banho e fazer suas necessidades. “O empregador não fornecia banheiros, os trabalhadores informaram que faziam suas necessidades no mato”.
Se não bastassem as condições de trabalho, os funcionários também eram submetidos a extensas jornadas que começavam às 5h até às 17h, com apenas intervalo para almoço.
“Sem alimentação fornecida pelo contratante, eles tinham jornada além do previsto em Lei”, enfatiza Alexandre Aparizi.
Uma das vítimas informou que trabalhou por oito meses na construção e teria sido informada pelo gerente, Edilson Pereira das Graças, que deveriam ‘se virar’ com a hospedagem já que o local estava cheio.
Sem alternativas, tiveram de construir barracos de lona. A água deixada em uma caixa d’água, sem tampa, era a única opção.
Com medo, alguns trabalhadores optavam por pegar água do córrego, o que muitas vezes gerava doenças e até mesmo viroses entre os trabalhadores.
Questionado, Edilson negou as acusações e explicou que a fazenda continha local apropriado para os funcionários e fornecia o valor necessário para a compra de alimentos que era descontado do salário, mas, pela sede estar distante da área de trabalho, os funcionários teriam recusado.
Além disso, indicou que a água era tratada e que tem origem em um poço que abastecia toda a fazenda.
Por sua vez, Alvaro Carbonaro, pai do candidato Tiago, indicou que os trabalhadores foram contratados pelo irmão, Aristeu, e pelo gerente da fazenda. Disse que a informação que obteve é de que os trabalhadores teriam recusado o abrigo.
Também sobre o caso, Aristeu explicou que a fazenda oferece todas as condições necessárias para os funcionários e bebedouro para que se hidratem. Também afirmou que houve a recusa por parte dos trabalhadores, já que a fazenda forneceu alojamentos adequados e que está todos os dias no local, não constatando as situações narradas pelos funcionários.
Esta não é a primeira vez que a fazenda é envolvida em uma polêmica. Os proprietários são investigados por suposto desmatamento de 122,58 hectares de área de Preservação Permanente.
Para a promotora Nara Mendes dos Santos Fernandes, eles negaram a ação, mas não apresentaram resolutiva e podem transformar o processo em uma ação civil pública. A determinação foi assinada em 23 de julho de 2024.
A reportagem questionou o candidato Tiago Carbonaro, mas não obteve retorno. O espaço segue disponível.
Tags: Escravidão, Justiça, trabalho,